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Fora da Caixa: como foi meu encontro com Silvana Leal

Atualizado: há 5 dias

Oi! Eu me chamo Marcelo Casarotto, sou ilustrador, tenho 29 anos e sou formado em Psicologia. Meus amigos sempre reclamam que sou muito calmo e que nada parece me impressionar. Longe de ser blasé, eu apenas me considero um consumidor cansado de tantas mídias e formas de conteúdo. Entende? Eu busco por novidade e acho que tenho um pé muito na utopia ou no futurismo de tanto ler ficção-científica e pelas horas intermináveis em jogos online.


Nesse meu primeiro post do blog, resolvi contar justamente sobre como foi o encontro da minha arte com a Silvana Leal e como essa experiência tá fazendo minha cabeça explodir. Ela é a primeira personagem de uma série de assuntos e pessoas ousadas que quero trazer aqui pra vocês. No futuro podem rolar até entrevistas e investigações sobre o que torna essas pessoas e personagens mais inusitados. Atualmente estou coordenando o Programa de Laboratório Criativo através do "Desbloqueio Criativo - Lab: Personagem na Paisagem" aqui no Ateliê Casa das Ideias. Confira nossa aula gratuita para saber mais! Em outros posts pretendo contar mais desse projeto, mas agora vamos ao que interessa!



Falar de encontro leva a uma associação direta sobre aproximação casual e única entre duas pessoas. Isso entrega um certo ar de intimismo e tem total relação com o que me encanta no trabalho, no jeito e nas conversas com essa artista multimeios tão complexa. A arte da Silvana Leal fala sobre afetos e sobre como eles são as linhas condutoras, as superfícies de inscrição do desejo e das possibilidades. É por meio de nossas conexões que a experimentação acontece. Paul Valéry já dizia: "O mais profundo é a pele". As tardes com café junto com a Silvana são tudo, menos únicas e casuais. São reuniões mirabolantes, filosóficas e cheias de altos e baixos dignos de Alice no País das Maravilhas.


Conheci a obra dela pelo virtual: acompanhava suas páginas me perguntando como alguém criava por tantos meios e, ainda, compondo com a psicologia! Eu era um voyeur despreocupado curioso sobre seus processos criativos. Assim que vi, nessas páginas, a oportunidade de participar da oficina "A Busca do Ser Criativo" realizada no Museu Histórico de Santa Catarina, dentro da exposição Transitions, me inscrevi imediatamente.


Nessa oficina eu tive uma certeza: Silvana sabe como conduzir com respeito e empolgação a arte no ato. Sem rodeios, mas dando todo suporte físico e emocional para que algo aconteça, para que algo (seja o vazio, o silêncio ou até mesmo a expressão extrema de sentimentos) aconteça e seja integrado, compartilhado. Todo artista deve - ou deveria - pensar seus próprios processos. Somos sempre questionados sobre nosso estilo ou saber como aprendemos alguma técnica. Falamos sobre nossa arte e contamos nossa história de vida. Nossas criações carregam nossos sofrimentos e alegrias em cada traço, cor ou movimento. Mesmo quando não queremos expressar nada; ali está, registrado, esse momento. Quando entendemos isso, criar se torna um ato carregado de significados. Por isso a importância de falar e analisar o seu fazer criativo: pra ser alguém!


Resolvi ousar e buscar uma aproximação. Tentei uma vaga de emprego no Ateliê sem saber direito onde eu poderia me encaixar. O que veio disso foi uma parceria para bolar algo incrível: mentorias em grupo enquanto um produto sensível (termo da própria Silvana pra falar das afetação causadas e que alteram o uso e as "coisas" do Ateliê).


Nossas formações em psicologia e o foco no existencialismo propiciaram conversas longas e reflexivas sobre o uso de tecnologia, novas formas de arte, marketing, relações, estilos de vida cada vez mais fugazes e sem comprometimento. Ainda, tivemos que criar palavras para explicar o que estávamos propondo. A nossa relação foi criando um passo a passo para auxiliar as pessoas a encontrarem algo diferente. Produzir a diferença é a chave para tudo o que pensamos juntos e, segundo Derrida,  a diferença é algo que altera um ser. “É a determinação do ser em presença ou em ente(i)dade que é, portanto, interrogada pelo pensamento da diferença”**. Se trata de uma ferramenta de investigação: a constante busca por sentido.



Além de adorar fazer trilhas, também amo usá-las como metáfora para falar sobre os meus processos criativos. Tem algo melhor do que quando todos aspectos da vida estão em sintonia para que encontremos um caminho quando estamos perdidos? Assim como numa trilha, organizamos nosso tempo na vida e revemos nossas relações, sejam elas com outras pessoas ou com o que consumimos, usamos etc. Nossos ânimos e emoções focam em executar coisas que multiplicam. Esse múltiplo e esse complexo não são coisas difíceis de entender. A arte da Silvana provoca essa inquietação. Tudo ali é múltiplo, transposto, transparente, alinhavado.


Não é preciso muito para perceber que a vida é múltipla. Basta se incomodar com a pressão desse mundo focado no ego e na unicidade de opiniões. As cobranças da sociedade tal como ela está configurada e exige uma ruptura ousada para com esses padrões: ou eu cuido dos meus arredores (relações, ambiente, grupos, processos) ou seguimos fluxos que não condizem com nossos valores.


Quem disse que cafés e conversas sobre assuntos sérios não rendem boas obras? Assim eu e ela fomos aprimorando nosso Laboratório Criativo Personagem na Paisagem. Precisávamos expressar nosso desejo de ajudar pessoas a serem mais criativas, originais e ousadas. Com carinho, pensamos cada espaço para análise, implementação e confluência de ideias coletivas. Meu respeito pela Silvana foi crescendo na medida em que notei a sinceridade e a empolgação dela em transformar vidas e expandir a consciência por meio da arte. Passei da contemplação virtual à objetivação de ideias - em questão de meses - , num redemoinho de emoções e personagens que só poderiam existir no respeito pela arte e pela figura de um mentor. Se engana quem diz que isso é fácil! Requer persistência e humildade para reconhecer que precisamos de ajuda dos mais sábios e experientes. Requer ousadia para uma atitude ou movimento que provoque tudo isso. Requer muito diálogo para acertar os termos, a estética e o sentimento envolvido. Requer tempo pra que esse valores sejam vivenciados.


O emprego que eu havia pedido me ajudou a dar vida a inúmeros personagens de livros infantis, páginas de reflexões ilustradas na internet, ideias para jogos e até formas de agir ou me portar no meu cotidiano. Ajudou-me também a valorizar justamente o trabalho artístico que, por muito tempo, eu vinha negligenciando. O labor integrando diferentes tomadas de consciência era o que eu buscava e, finalmente, encontrei. Espero que vocês encontrem algo assim no nosso Ateliê. Que venham muitas outras ideias!



*Imagens do filme Alice no País das Maravilhas (1991). De: Walt Disney Animation Art


**DERRIDA, Jacques. Margens da Filosofia. Trad. de Joaquim Torres Costa e Antonio M. Magalhães. Campinas, SP: Papirus, 1991.


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1 Comment


Marcelo, estou muito feliz e agradecida com a resultado destes meses trabalhando e criando juntos! Seu talento, comprometimento e leveza fazem da jornada que nos propusemos de criação deste lindo laboratório para ajudar as pessoas a serem mais originais e ousadas, uma realização próspera e cheia de alegria! Os resultados vão aparecendo a cada nova ação. É um processo muito intenso que trás mais que satisfação imediata, traz a certeza de que o caminho é longo e firme, isso aquece o coração e alimenta verdadeiramente nosso espírito alinhado pela arte! Que venha um novo ciclo cheio de pessoas ousadas dispostas a se transformarem e transformarem o mundo a sua volta!😉

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